outubro 26, 2006

Os Senhores do Aborto

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   O Senhores do Referendo sobre o Aborto vão voltar a atacar-nos onde quer que nos encontremos. Nenhum local será,  dentro em breve, suficientemente   seguro.
  Se a discussão decorrer com o recurso a argumentos iguais, ou de qualidade identica, aos utilizados no último referendo sobre esta matéria, chegaremos certa e renovadamente ao ponto de tomar a posição contrária àquela de quem está, numa pantalha qualquer ou na telefonia, a  contender por um dos lados.
   Para já, para já, e passe o machismo, arrepia-nos o facto de haver gente de um e de outro lado que, tal como nós e como 50% da população, não poderá nunca vir a abortar. Isto, pá! prezado leitor, arrepia-nos quase tanto como o facto de haver gente dos dois lados que já abortou.
   Arrepia-nos ao fim e ao cabo e um pouco mais a sério, a leveza de quem argumenta a propósito de situações em que é hipócrita ou que não vivenciou. E essa vacuidade não pode deixar de se fazer sentir.
   Choca-nos que alguém diga que é dono da sua barriga. (Nós, pessoalmente, em casos de diarreia dificilmente controlamos a nossa...).
   Coisa tão chocante quanto estes disparates, é o facto de se poder falar de um e de outro lado, do aborto (mesmo que lhe chamem interrupção voluntária da gravidez) como se de um qualquer método contraceptivo se tratasse. 
   As diarreias intelectual e 'verborraica' chegarão a ser arrepiantes também desta vez?
                                        -Não sabemos ao certo, mas que os indícios são preocupantes... Ah, lá isso...
   P.S.: A este propósito (da IVG) a jornalista e cronista Inês Pedrosa disse há uns anos uma coisa que é bem verdadeira: 'A lei que enquadra a interrupção voluntária da gravidez em Espanha é semelhante à nossa'.  Ninguém a ouviu. Nestas coisas o que vale a pena são sempre as apitadelas e as gaitadas, os foguetes e os tiros de pólvora seca.
Publicado por Francisco Nunes em outubro 26, 2006 10:23 PM
Comentários

Boa, pelo arrazoado, não tanto por uma posição a favor ou contra.

Abraço

Afixado por: Carlos a.a. em outubro 27, 2006 05:29 PM

Afinal quem nunca pecou que atire a primeira pedra.

Com ou sem revisão da lei, o aborto ou a interrupção voluntária da gravidez vai continuar a ser prática.

Afixado por: jgonçalves em outubro 27, 2006 11:43 PM

Carlos, obrigado pelas palavras gentis quanto ao arrazoado...

Ao Zé e ao Carlos:
Se sou contra ou se sou a favor da IVG? Sou, como acredito que deve ser qualquer tipo com mais sensibilidade do que uma ameba, contra o aborto.

Penso que essa não deveria ser a questão central. Digo mais: não faz sentido um referendo sobre o aborto. A lei que temos é razoável e deveria ser implementada em moldes razoáveis e exequíveis. Faz ainda menos sentido, a este propósito, que haja uma lei boicotada pela Ordem dos Médicos. Não faz sentido um referendo que eventualmente aprove a IVG sem se saber se depois -e caso seja legalizada a IVG- será possivel contornar ou submeter esta ordem profissional.

Não faz sentido a argumentação dos prós, é detestável a argumentação dos 'contras'... Não me parece que quem está contra tenha feito o suficiente(falando em termos gerais) para evitar que muitas mulheres fossem forçadas a recorrer à IVG. Não me apraz a forma violenta como alguns, falando de questões de tão forte intimidade, defendem a IVG.
Carlos: Fui mais sincero do que te possa parecer. Não fui mais claro porque também não tenho uma posição definida quanto aos limites -se é que estes se podem traçar- da aplicação da IGV. Se a tivesse duvido que me achasse no direito de impor o que quer que fosse a uma mulher e às suas circunstâncias. Por outras palavras: vou abster-me neste referendo.

Sempre se fizeram abortos neste país e, face à proibição legal existente, nunca se fez nada pela saúde de quem os fazia. No entanto, num país que interditava o aborto, nunca se promoveu uma verdadeira política de apoio à maternidade. Há uns anos porque imperava a miséria, agora porque impera a febre da produtividade.

Por esse país fora muitas mulheres abortaram às escondidas, muitas esconderam gravidezes, muitas morreram... Enfim! Sei, por ter vivenciado o drama de uma pessoa amiga, que a decisão de tomar uma atitude dessas é horrível. Sei o suficiente desta vida para não querer mandar bitaites sobre as decisões mais intimas e mais duras dos outros. Muito simplesmente porque nunca me poderia responsabilizar totalmente pelos bitaites emitidos.

Que raio! serei obrigado a estar do lado de uma posição do tipo:
'Agora não aborta ninguém!'
ou
'Cada um (cada uma, melhor dizendo...) sabe da sua barriga'.

Acho que é evidente que este é um quadro de debate algo 'seco'.

Agradecido pelos comentários, um forte abraço aos dois (Carlos e Zé),

Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em outubro 28, 2006 12:58 AM

Francisco, "G"rande Amigo
Se o texto era bom este teu comentário é excelente, de sensibilidade, humanismo e de respeito pelo semelhante.
O que aduzes dá para os dois lados do tal voto no referendo, mas a verdade é o problema é mesmo um problema de muito difícil resolução! Se assim não fora estaria resolvido há muito.

Grande Abraço

Afixado por: Carlos a.a. em outubro 29, 2006 09:55 PM

Adorava que a mãe de um tal SOCAS tivesse abortado.Estariamos mais felizes agora

Afixado por: kokas em novembro 5, 2006 09:20 PM
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