Caro Francisco
Ainda a autoridade
A autoridade não tem, na minha perspectiva, vontade própria, logo não se pode impor. Ela depende da capacidade de fazer acreditar, a quem não a tem, da necessidade da sua existência, independentemente das diferentes formas que possa assumir. Sem crença, não há autoridade!
As grandes convulsões ao nível dos paradigmas de poder vigentes iniciaram-se, precisamente, “nas escolas”, porque são os jovens quem, naturalmente e intuitivamente, se apercebem do “acomodamento” a que a crença na autoridade obriga.
Estes fenómenos exacerbam-se quando, em determinadas alturas históricas, “o poder pelas pessoas” é fraco e o “poder pelo poder” é forte, bem como, nos períodos em que a hierarquização social, em que a escola tem um papel crucial, é demasiado rígida. Parece-me que estamos, apesar do "pouco estardalhaço", a viver um desses momentos históricos - uma espécie de "crise abafada".
Nesta perspectiva, concordo consigo quando diz que existe uma crise “de autoridade”, logo, “crise no poder”, mas, não posso concordar quando dá a entender que essa crise é necessariamente negativa em termos de evolução social, apesar das suas consequências imediatas o poderem ser.
Não podemos dizer que a coisa está mal… mal… mal, e, simultaneamente, ser pouco compreensivos relativamente a quem - neste caso os jovens - desafia abertamente os símbolos do poder decrépito - neste caso a escola.
Bullying à parte, prefiro ser optimista!
Outro abraço