fevereiro 12, 2007

Da inteligência da inteligentzia

   Ao que se lê e se ouve, parece que não é inteligente dizer-se que a abstenção neste Referendo foi significativa. Não é inteligente constatar que muito do que está em causa é cobardia política, uma impossibilidade de decidir firme, sem tibiezas e sem dividir mesquinhamente as pessoas por forma a desviar-lhes a atenção para a evidência da necessária e óbvia acção política.
   Não serão inteligentes os jornalistas estrangeiros que referiram o elevado número de portugueses que se abstiveram.
   Não! É muito mais inteligente dizer que o 'Sim' ganhou. É muito mais inteligente dizer que Sócrates vai agir por causa do resultado deste referendo. É inteligentíssimo ignorar que o empenho pessoal do Primeiro Ministro e do Ministro da Saúde, que a acção política dos líderes de todas as forças partidárias, que a intervenção da Igreja e que a militância de muitas organizações cívicas, não foi suficiente para fazer da abstenção o partido mais votado. É até genial nem nos perguntarmos sobre o que faria Sócrates se o 'Não' tivesse vencido com uma abstenção de mais de 50%... e, por absurdo, se o 'Não' vencesse com uma abstenção inferior, vá lá... inferior a 40%!
   Em suma: não deve ser mesmo nada inteligente constatar que este resultado para o PM foi um alívio e não uma vitória. E dizer-se que os portugueses quiseram que os políticos assumissem as suas responsabilidades e não os tratassem como tolos... bom! isso é que é cá de uma estupidez...
   Mais estúpido, só afirmar-se que os partidos ditos de direita nunca pugnaram por uma verdadeira 'política de família' enquanto foram governo ou, pior ainda! dizer-se que o 'desmancho' é uma instituição multisecular neste país...

 

   De qualquer forma, é sempre melhor deixar que os números falem por si.

Publicado por Francisco Nunes em fevereiro 12, 2007 08:34 AM | TrackBack
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