junho 28, 2007
"Portugal não está a caminho de ser uma plutocracia..."
O Prof. Vital tem andado, de há uns dois anos a esta parte, a 'atirar ao lado'. Acontece...
De facto, a realidade que este académico regista não tem nada a ver com a realidade que os seus concidadãos vivenciam. Não tem tido...
Agora, de repente, inesperadamente, a realidade surpreendeu-o: O Joe Berardo que, coitado, só tem a 4ª classe (facto que, aliás, nunca precisou esconder de ninguém) falou grosso com o seu amigo Mega Ferreira.
O pobre Vital -concedemos- não é mau homem, tem é muito que fazer e muito mais para escrever... Na terça-feira passada, escandalizado e deprimido, lá se apercebeu que o achincalhamento continuado dos profissionais deste país, que tem sido levado a cabo nos últimos tempos, não reconhece 'vacas sagradas', nem que dêm pelo nome de Mega Ferreira.
Vai daí, e o catedrático de Coimbra insurgiu-se no seu blogue numa posta em que, a determinada altura, irado, grita que: "Portugal não está a caminho de ser uma plutocracia..."
Tem toda razão: Portugal não vai a caminho de coisa nenhuma, o país já lá (leia-se: a uma plutocracia atabalhoada) chegou há muito tempo e, constatamo-lo diariamente, não fez este percurso propriamente a passo de caranguejo... De maneira nenhuma!
Entretanto, fartos de tanta cegueira -e, vá lá! um pouco por malandrice...- já há aqui na Planície quem ameace votar no PS nas próximas legislativas. Dizem estes castiços que este voto é um bis justificadíssimo: pode ser, dizem estes pândegos, que ao fim de 3 ou 4 regressos ao palco da governação os socialistas aprendam a administrar este país sem fazer disparates; por outro lado, argumentam babados de gozo, até pode ser que muitos portugueses ainda gostem deste estilo de governança (se assim se pode dizer...) e -veja-se a suprema maldade destes marafados!- gostem e o mereçam verdadeiramente.
(Bolas! Fora cá cá de coisas, também achamos que isto assim já é demais!!!...)
Noutra perspectiva, e por desfastio, analisemos com mais cuidado a postinha do nosso 'coimbrão'...
O título da posta em análise, "Um pouco mais de contenção, sff", atirou-nos, provincianos broncos, para questões orçamentais. É que, ao fim e ao cabo, a contenção orçamental tem sido a tónica de um governo completamente socialista e, quiçá, demasiado em liberdade, apoiado por partidários destemidos e fervorosos que, não há muito tempo atrás, gritavam, esganiçados e vermelhuscos de indignação, que os portugueses não eram números.
Ao que parece, não eram números dantes; agora, os portugueses já nem são bem números, são cifras... Mas cifras rigorosas!
Adiante. Passado o título, o autor avança para o madeirense das escórias de ouro, da PT, do BCP e do Benfica. Diz dele o catedrático Vital Moreira:
"Como particular, Joe Berardo tem direito a toda a incontinência verbal e soberba que o seu temperamento e a sua fortuna justificarem."
Surpresa! Quererá isto dizer, perguntamos, que um 'tuga' rico, se quiser, pode ser malcriado? Achamos isto muito injusto: num país como o nosso rectângulo, largamente democrático e socialista em liberdade até dizer chega! deveríamos poder ser todos umas bestas... Mas mesmo todos. Por que carga de água é que só os poderosos é que podem ser -se quiserem, claro está!- malcriados?! Parece-nos isto mal e antidemocrático...
Não concordando com a premissa explanada no período já citado, fica-nos um ensinamento: já sabemos por que é que o Prof. Vital se cala perante muitas arrogâncias e muitas prepotências. Ao fim e ao cabo, a maioria destas atitudes vêm de quem as pode ter...
Constitucionalista renomado, Vital Moreira teria, cedo ou tarde, de se confrontar com a quetão das limitações de poder(es): Quem é que pode ser uma besta sempre que lhe apeteça? Eis, tão singela quanto profunda, a questão que deve atormentar constante e dolorosamente este valioso catedrático...
A citação seguinte vai, como veremos, permitir-lhe começar a responder a esta questão. Vejamos:
"Mas nas suas relações com instituições públicas não tem o direito de comportar-se como se fosse o "dono do rancho"."
Ora aí está! O Berardo poderá ser malcriado com, por exemplo, o Rui Costa. Mesmo tendo em atenção que o Rui Costa tem dinheiro, fala inglês e até tem o 2º ano do ciclo e tudo!... No entanto, hélàs!! o Rui Costa, coitadito, só sabe jogar à bola, tem menos dinheiro do que o Berardo e, acima de tudo, não é uma instituição pública para os portugueses que não gostam do Benfica. Seja: O Rui Costa, tal como a maioria dos portugueses, tem a obrigação de aturar o Berardo.
As instituições públicas, pelo contrário, estão acima do Berardo. Elas, as instituições, é que são as 'donas do rancho' de muita gente e, nesse sentido, são intocáveis... Clarinho, clarinho, este raciocínio...
Faltavam ao constitucionalista as últimas estocadas para fazer vencer o seu brilhante ponto de vista. Ei-las:
1ª "Que se saiba, ele [Joe Berardo] ainda não é dono do CCB." Falhada, estas estocada!... A aparente constatação de contabilista leva muita água no bico...
O Joe -intui-se- não é o rancheiro do CCB. O Joe, portanto, não é uma instituição. O Joezinho, desta forma, não é uma instituição e, enquanto não o for, terá que ouvir impropérios de quem o é...
Mais a mais, o Joe vive num país que, recordamo-lo, não é uma plutocracia... Será talvez uma partidocracia, uma peéssocracia, uma hipocrisia, uma chinesice, uma coisa qualquer...
Portugal não é uma plutocracia! Nem está -diz o Vital- a caminho de sê-lo! Cá está então a 2ª estocada:
" E Portugal não está a caminho de ser uma plutocracia..."
Em Portugal não há, de facto, plutocratas assumidos. Em Portugal há democratas que, quanto muito, defenderão os interesses de alguns plutopoderosos, desde que não tenham a irritante mania de andar para aí a pagar estudos e a chatear quem manda nisto democraticamente.
Vital Moreira calculou (calculamos nós) que a posta estava a ficar confusa para muitas cabecitas. Prestimoso, simplificou-a com uma adenda:
"Adenda
Depois das intoleráveis considerações de Berardo sobre Mega Ferreira, penso que o Governo deveria pôr o senhor na ordem. Sob pena de deixar humilhar impunemente um seu delegado."
Ora, foi esta adenda que nos deixou despedaçados...:
Primo: O constitucionalista Vital pretende que o Governo ponha o cidadão Berardo na Ordem. COMO?!?!
O MAI deveria atirar a polícia de choque para bater no Joe (Dalton?)?
O governo deveria interferir na organica de uma Fundação com quem acabara de estabelecer um acordo manhoso?
O governo deveria mandar fazer um aeroporto onde menos conviesse ao pobre madeirense?
Se calhar, o governo, dentro da legalidade, só poderia fazer uma coisa: aconselhar o Mega a ir queixar-se a um tribunal...
Ao fim e ao cabo, o Mega foi humilhado pelo dirigente da Fundação Berardo e, sendo assim, foi o 'dono do rancho' que o humilhou.
Secundo: Impertinentes, alguns de entre nós perguntam-se: O que é que fazia um delegado do Governo a trabalhar para o Berardo?
Não sabemos. Nós também não sabemos... Nós, aliás, cada vez sabemos menos.
Urge que nos dirijamos a um médico... Provavelmente estes são sintomas da PDI... ou do bafio.
Publicado por Francisco Nunes em junho 28, 2007 01:49 AM
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É uma pena, mas a rodinha está a completar o círculo! Não foi em 10 que tiraram a tosse aos outros?