Aquela sensação de ter errado pegava-se-lhe mais do que a camisa às suas costas naquela tarde quente de Julho. O pior é que não podia emendar a mão. O disparate já estava feito. Allea jacta est, -citava de si para si um pouco a despropósito. Ahhh, os dados, a sorte... Merda!
A não ser... a não ser que ninguém tivesse reparado... Afinal, toda a gente está cansada numa sexta-feira às cinco. Até o chefe.
O chefe! Eh pá! era mesmo isso!... Perguntaria ao chefe se estava contente com ele. Se o chefe dissesse que sim, estaria tudo bem. Eia!.... Mas... e se o chefe dissesse 'está tudo bem... está!... está!...' Ou se abanasse a cabeça, desaprovador. Ou se...
Era melhor estar quieto. Quietinho... Logo o raio da sinusite se havia de declarar quando o chefe se referia ao ministro... A sério: ele não se estava a rir do ministro... Era a sinusite! Bolas!
Uma carta da Direcção-Geral era o que menos lhe convinha. Agora que tinha o mais velho a acabar engenharia em Aveiro... Bom... A não se que o chefe não tivesse visto; ou que o esgar fosse imperceptível, ou que o chefe fosse seu amigo...
Um mês depois, o chefe:
- Augusto, tenha cuidado... Neste mês já é a quinta vez que se ri do nosso ministro em público.
O chefe, de imediato:
- Augusto, calma! calma! Oh, Augusto! Augustoooo!
Um Mês e um dia depois, o chefe para a viúva condoída:
-Estávamos naquele cafezinho de esquina, ali ao pé da repartição. Entre amigos, e tal... Não sei o que lhe deu... até estávamos bem dispostos, a rir, a galhofar... Uma pilhéria, uma piada, uma anedota... Truz! O Augusto (uma pena!...) caiu redondo. Morto. Ele há coisas...
Publicado por Francisco Nunes em julho 6, 2007 10:32 AM | TrackBack
"Novos Contos do Tinto"
Afixado por: Isidoro de Machede em julho 6, 2007 04:18 PM