setembro 09, 2007
Misérias! - Um estudo de engenharia demográfica
As medidas do governo para que os portugueses tenham filhos, face à ralidade que os cerca, nem chegam a ser graves... são perfeitamente exdrúxulas.
Há uns dias, numa das últimas mercearias aqui da Planície, uma cigana novita apresentou-se com três filhos: o mais velho seguia-a puxado pela mão, a menina escarranchava-se-lhe na anca e o mais novo dos três vinha ainda no seu ventre. A empregada da caixa, curiosa, perguntou-lhe a idade enquanto lhe registava o avio. '21 anos, senhora'- respondeu.
Ouvida esta resposta a clientela acudiu com o olhar à fisionomia da jovem mãe, ao seu avio, ao tamanho dos petizes e ao seu já volumoso ventre. O assombro rapidamente deu lugar à ira. A empregada da caixa olhando-a nos olhos atirou-lhe:
- 21 anos, dois moços quase criados e outro já 'à boca'! Porra! muito gostam vocês da trucatruca! É para vocês se encherem de moços que o Sócrates nos leva meio ordenado! Ladroagem! Este país está cheio de ladroagem.
A ciganita, delicadamente, pagou. Passados uns minutos, poucos, voltou a assomar-se à porta.
-Que foi agora?
- Senhora, esqueci-me do saco da carne.
- Está aqui. Olha lá, como é que se chamam os mocitos?
- Maria e Leonel.
- E esse aí? -a empregada apontava-lhe para o ventre.
-Se for menino há-de ser Manuel, se for menina, Leontina, como a minha mãe...
Os nomes das crianças foi um tema que sempre embeveceu o mulherio... Impunha-se um cachimbo da paz qualquer:
- Gostam de gomas? Vá lá... para ti e para ti. Olhem os dentes...
Babados e peganhentos de açucar, as crianças abalaram da mercearia com a mãe. Envolviam-nos os lamentos cuscos das clientes. 'Misérias' era, mais ou menos, a palavra de ordem da mini-multidão presente.
Misérias!... Não foi, nem pouco mais ou menos, a primeira vez que ouvimos este sinónimo de 'politiquices' aqui pelas planuras do Sul.
Misérias!...
...-dizemos nós.
Publicado por Francisco Nunes em setembro 9, 2007 10:53 AM
| TrackBack
É o que dá não haver televisão lá na barreca!