março 08, 2008
As Reformas são fixes, pá! (posta refundada a pedido de algumas famílias)
Este governo PS quer ficar com um mérito nos apaixonantes anais lusitanos: o mérito das reformas.
Esta ideia de que reformar é sempre positivo é uma daquelas taras próprias de um de país velho. É mais do género: 'tenho muitos anos, pá! pois tenho!... mas ainda ainda estou aqui com uma vontade enorme de dar umas curvas!... -com um esgar maroto catrapiscado de rufia de porto de mar, o marmanjo todo gaiteiro ainda lhe acrescenta: - de dar umas reformulações (eh, eh,eh...).'
E pimba:
Reforme-se.
Rerreforme-se.
Birrerreforme-se.
Transforme-se.
Reformule-se.
E, já agora, e a pedido expresso de alguma famílias:
REFUNDE-SE
e
REFUNDA-SE.
Já!
Reformule-se tudo. Reformule-se, nem que para isso se tenha de recorrer a um barroco secretário de estado que, segundo dizem as más línguas aqui da Planície, diz 'interviu' 2, 3, 4 vezes numa qualquer reunião de trabalho (sic) elaborada a partir de convites mais ou menos coercivos e assente nos inevitáveis power points. Uma coisa, uma (vá lá...) atitude, mesmo ao gosto de supimpas faróis éticos de gingeira tipo Júdice, Loureiro ou rapaz que acha que representa todos os pais deste país (mais nada!).
Mas não basta: Viaje-se até aos comentários das páginas electrónicas dos jornais nacionais e logo surgem, alarves, caramelos que aí passam o dia a comentar, a apupar, a opinar, a defender todas as reformas e, convictamente, ribombando o seu peitito flácido, assegurando que são avaliados no seu local de trabalho... (Aqui entre nós: se isso fôr verdade, e como diria o outro: 'tem patrão que é cego!...')
A Educação, essa magnífica ciência ao alcance de todos, uma espécie de futebol dos cidadãos que têm interesses muito para além do futebol, tem padecido desta opinativa avalanche 'rerre-ista' como nenhuma outra área de conhecimento, como nenhuma outra actividade.
De facto, muitos professores aqui da Planície já se perguntam -coitados!- se serão, porventura, gente de bem, se serão bons pais, se serão sérios, se, efectivamente, pagam impostos, se, sem o saberem, não terão por aí uns negócios preferenciais com o Estado, se não trabalharão à pála de uma cunha dada pelo cartãozito do partido, se, vá lá..., se serão gente que possa andar de cabeça levantada.
É que, cogitam desesperados com os seus botões ou confessam aos seus amigos mais chegados, reformas no ensino não têm faltado. Nos últimos 30 anos houve, pelo menos, 10 reformas, 15 ministros e 30 ideias brilhantes para a Educação.
Tipos com uma paixão enorme pelo ensino, bons professores - se, claro! pudessem dar-se a essa menor actividade, (por assim dizer...) profissional - são mais do que as mães. (Pedagogos, só para se ter uma ideia da coisa, no recentemente passado século XX, era dar um pontapé numa pedra que apareciam aos cachos...)
Ora, num mundo destes, ser professor é nada. É zero. É... é coisa nenhuma. Ao fim e ao cabo -conclui-se-, neste país todas as luminárias que dariam óptimos docentes têm um azar, não gostam muito de dar aulas... Uma maçada! Um enorme azar!
De facto, ninguém se questiona da validade nem da universalidade das reformas que se propõem à comunidade. As reformas são boas porque, muito simplesmente, se constituem como um corpo de teorias mal fundamentadas e de práticas avulsas a que se deu o nome sacrossanto de 'Reforma'.
As ideias assim propostas podem ser serôdias, os interesses subjacentes podem ser inconfessáveis mas, beatamente, a elegante e engomada roupagem de uma Reforma transforma o mais supino disparate numa verdade inquestionável, num desígnio, num imperativo. Reforme-se, pois!
A Reforma, neste país, ainda tem outra característica: não há -nunca houve!- nenhuma reforma que seja dogmática, que seja improducente, que seja escusada, que seja, -desculpai leitores a nossa imponderada e arrogante heresia- contraproducente.
Não! neste país todo modernaço, e tal, uma Reforma é sempre um poço de méritos e desta feita, quem, louco! louco! louco!, se lhe opõe incorre sempre em pecado.
É por isso que na área da educação, por exemplo, qualquer ministro que esteja no cargo mais de 6 meses propõe uma Reforma. Uma reformazita... Tem que ser, pá!
Antes de abrir os olhos para a modernidade e para o irreversível progresso que paulatinamente se nos impõe, -recordemo-lo- a própria dona Maria de Lurdes recusava as reformas. Agora, ministra de peito feito, opta pela Reforma, anseia pela lápide na 24 de Julho, galvaniza-se na espectativa da glória futura, compraz-se na definitiva fuga ao olvido dos Homens.
Neste país só um lunático, ou, por disparate, só um ser desprovido de perspectivas de futuro minimamente sãs pode ser contra uma Reforma.
Apenas uma mente mesquinha pode ousar aventar a hipótese de se aperfeiçoar o que existe. Mais: aventar a possibilidade de um bom ministro, ser de facto um bom ministro, apenas por aperfeiçoar, corrigir e implementar o que existe, passa apenas pela cabeça de energúmenos que merecem ser espezinhados por multidões ávidas de futuro e de progresso.
Publicado por Francisco Nunes em março 8, 2008 12:00 AM
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Um texto lúcido. Brilhante.
Porreiro, pá! Bem lembrado. Vamos já fazê-lo.
Um abraço
francisco nunes ;)
Incompleto! Falta o "Refundar" anunciado para o Ensino Artístico Especializado.