Os comentadeiros cá da praça já começaram a tentar fazer o que era de esperar: a condicionar a manifestação de ontem. Há coisas, no entanto, que devem ficar claras.
1ª Os professores que se manifestaram ontem não representaram a totalidade dos profissionais descontentes. Aqui na Planície, que saibamos, não há um único professor satisfeito com esta ministra da educação.
2ª Os professores não estão contra os pais. Os professores são pais e avôs que têm os filhos, maioritariamente, no ensino público e apostam na sua eficiência e no seu sucesso.
3ª Ontem, naquela manifestação, haveria 70, 80% de pais: 70, 80 000 pais... Muitos mais do que aqueles que o rapaz da Confap diz representar.
4ª Os professores presentes não estão conotados, na sua maioria, com os partidos políticos. Muito menos com os partidos como os conhecemos por estes dias.
5ª Muitos dos professores presentes não estão sindicalizados.
6ª As manifestações convocadas por SMS não tiveram origem nos sindicatos. Os sindicatos é que foram arrastados pela indignação dos profissionais. Só há 6 ou 7 dias os sindicatos conseguiram enquadrar estas manifestações genuinamente espontâneas nas suas agendas. (Aqui na Planície, em Beja, houve uma manifestação ilegal convocada por SMS. A FENPROF tentou desmobilizá-la; depois, gorada a possibilidade de conseguir abortá-la, aderiu-lhe e tentou -com êxito, diga-se...- enquadrá-la).
7ª A confusão da nota anterior deve-se a má fé ou a profunda distração. Alguém acredita que no caso de os professores identificados pela PSP (como ocorreu no Porto, por exemplo) haver um deles que , mesmo que de forma muito difusa, fosse conotado com um partido político essa situação seria esquecida pela máquina informativa deste democrático PS?
8ª Os movimentos já constituidos de professores surgiram longe dos sindicatos e dos partidos. Esta situação fica a dever-se ao enquistamento evidente da nossa democracia: dos nossos jornais carregados de comentadeiros descobertos sabe-se lá onde, dos nossos partidos reféns de interesses inconfessáveis e de intrigalhadas abstrusas, dos nossos sindicatos demasiado profissionalizados... Como diria o professor de Aveiro: ao enquistamento de nós todos.
Publicado por Francisco Nunes em março 9, 2008 02:59 PM
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