O desatino começa a forçar os omnipresentes comentadeiros da área do PS (leia-se: dos interessezitos terrenos da área do PS) a cavalgar uma frenética onda de comentários de comentários que nós, púdicos e castos provincianos, nos impedimos de citar. De qualquer forma, e exposto a traços muito largos e por passos, o raciocínio (se assim se pode dizer...) dos cavalheiros vai correndo, mais ou menos, assim:
Até à manifestação dos 100 000
1º - A Reforma da Educação é brilhante, é irreversível.
2º - Os professores não são avaliados como toda a gente, -a Educação está esclerosada e parada no tempo - e é por isso que a educação está como está.
3º - A gestão das escolas deve ser privatizada ou, pelo menos, municipalizada. Reforme-se, pois!
4º - Os pais devem ter uma palavra (ou mais) a dizer na Escola; sobre o quê? isso... logo se vê.
5º - É o PCP através da CGTP que está a 'agitar as águas' da Educação.
Depois da manif que desceu do Marquês até junto das víboras que as patas iluminadas do cavalo do D. José espezinham (e já as espezinham desesperadamente há mais de 200 anos...):
1º - Os professores foram claramente instrumentalizados. Foi nítido, pá!
2º - Os 100 000 que desceram do Marquês até ao Pombal defendiam interesses corporativos.
3º - A defesa dos interesses corporativos de alguns (uns 100 000 tipos algo ociosos), prova que é o interesse nacional que está em jogo.
4º - Como é o superior interesse nacional que está em jogo, os patrióticos e praeclaros Sócrates e Maria de Lurdes não podem -nem devem!- recuar. Jamais!!! (jamé!!!, como diz o da Ota)
5º - Toda a gente sabe que os professores se estão nas tintas para os miúdos (não há pais professores, há é professores que querem enriquecer à pála do OE, como toda a gente sabe...).
6º - Os professores, pá! nem leram as propostas do Ministério, pá!
7º - Os professores portugueses são maus, têm mau aspecto e, de certa forma, são os únicos culpados do ponto a que isto chegou.
De há 4 ou 5 dias a esta parte:
1º - Recuar? O Governo não pode recuar... seria a sua queda, pá!.
2º - [O que] é preciso é um sinalzito de abertura... (que, basicamente, consiste em que o governo não recue, ou, ainda mais subtil e 'inteligente', que recue, que faça uma badalhoquice qualquer, mas que os confusos eleitores não 'topem'... muito menos os que apareceram no 'académico' da Invicta!).
3º - Ao fim e ao cabo, pá! os professores sempre estiveram contra as reformas.
4º - Se os professores sempre estiveram contra as reformas é porque são uma classe retrógada.
Desde há dois dias a esta parte...:
1º - Afinal, é normal, é mesmo 'quase desejável', que os professores estejam contra a Reforma.
2º - Se os professores estão contra esta Reforma, é porque ela é útil e necessária.
3º - Os professores querem é trabalhar numa Escola desprestigiante para toda a gente que nela se move, sem avaliação, com violência, com deficientes infraestruturas e criadora de uma instabilidade emocional tão grande que eles se transformam em óptimos clientes dos consultórios de psiquiatria. (Afinal, ir ao psiquiatra até é chiquérrimo...)
Passo idílico a dar pelos comentadeiros nos próximos dois ou três dias, na óptica ingénua ( e até mesmo, vá lá... parola) dos provincianos aqui da Planície:
1º - Eh, lá! Pois se já houve uma catrefada de reformas nos últimos 40 anos... isso quer dizer que já houve reformas!
2º - E mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, e mais, reformas... Reformas para todos os gostos!
3º - Mas se houve tantas reformas, se os professores estiveram contra todas elas, se isto ficou tudo como está agora... se calhar é melhor parar, olhar, ouvir e, só depois, decidir.
4º - Eh, pá! Até seria interessante saber o que pensam da Escola e do que é preciso fazer para a melhorar, os professores que são professores, e os professores que são professores e que até são pais, e tudo, e tudo!
Publicado por Francisco Nunes em março 21, 2008 12:05 AM
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