maio 14, 2008

História infantil: Sopeirices numa terra de vesgos

Havia outrora um certo país, onde um primeiro-ministro que, para ser eleito e poder passear e laurear-se por ess mundo fora, tinha mentido dsalmadamente na campanha eleitoral. Esse político -dizia-se- tinha já feito muitas maldades e esta era mais uma. Havia mesmo quem dissesse que ele tinha mandado os seus lacaios esconder algumas coisas más que ele tinha feito quando era pequenino. Havia -imaginem!- quem chegasse a dizer que este político tinha assassinado a paisagem construída de muitas aldeias, que tinha tirado uma licenciatura aos fins-de-semana, etc e tal e coiso... Dizia-se muita coisa, mas os vesgos -assim se chamavam os habitantes deste país- é que não deram muita importância a isso. Ao fim e ao cabo, eles -os vesgos- eram todos muito linguarudos, de forma que estavam habituados a ouvir atoardas todos os dias e não lhes davam muita importância.

Ora, num certo dia, o nosso político levantou vôo da Terra dos Vesgos e foi passear para a Terra dos Viscosos Negros. No avião, muito satisfeito por estar com alguns amiguinhos seus resolveu comemorar. Fê-lo de tal forma que fez um vesgo mais sopeiro e muito sinuoso passar uma viagem inteira incomodado com o fumo dos cigarros que o político e os seus amigos fumavam felizes escondidos atrás de uns taipais.

O dito vesgo sinuoso, é bom que se diga, não tugiu nem mugiu 'para não parecer mal' e não ser castigado. Mas eis que ao sair do avião, zás! trás! catrapás! o referido vesgo armou tamanho escândalo que até os gasganetes se lhe soltavam para fora das presas e, pimba! todos os sopeiros lá do sítio se escandalizaram, muito, muito, muito e ficaram tristes e revoltados (os vesgos, digamo-lo, também eram um bocadinho invejosos).

Diziam os vesgos uns para os outros: 'O gaijo, hã! tem a mania que é mais vesgo do que os outros vesgos, a fumar em aviões... e um gaijo sem poder fumar nos hospitais, nos tribunais (os vesgos adoravam dar vistas e, apesar de estes não servirem para nada, passavam nos tribunais muitas e muitas horas), nem nos gimnodesportivos (os vesgos também gostavam muito de ficar sentadinhos a beber cervejas e a ver os outros fazer desporto)... só neste país!' (outra coisa de que os vesgos gostavam muito: proclamar que viviam num país desgraçado... o que até era, queridos amiguinhos, um bocadinho verdade, um bocadinho...).

Ora, o nosso primeiro vesgo era muito, muito esperto e, vai daí, longe de cumprir o que prometera na campanha eleitoral -até porque mais a mais, já ninguém se lembrava do que ele prometera (os vesgos também são muito desmemoriados) e isso também não lhe era pedido...- assusta-se com o escândalo e fazendo-se muito arrependido aprestou-se muito sopeiramente a prometer que até ia deixar de fumar.

A partir daquele dia, todas as vesgas e todos os vesgos ficaram muito sensibilizados com o nosso herói e ele passou a ser muito amado naquele país.

O chefe dos vesgos, contente com a amizade que os vesgos seus conterrâneos lhe dedicam, até já pensa em deixar de ir ao ninho. Espertalhão, espertalhão, espertalhão!... Tlim, tlão.


Gostaram? Então amiguinhos cantem conosco: Vitória! vitória! acabou-se a estória...

Publicado por Francisco Nunes em maio 14, 2008 11:55 PM | TrackBack
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