Ora, num certo dia, o nosso político levantou vôo da Terra dos Vesgos e foi passear para a Terra dos Viscosos Negros. No avião, muito satisfeito por estar com alguns amiguinhos seus resolveu comemorar. Fê-lo de tal forma que fez um vesgo mais sopeiro e muito sinuoso passar uma viagem inteira incomodado com o fumo dos cigarros que o político e os seus amigos fumavam felizes escondidos atrás de uns taipais.
O dito vesgo sinuoso, é bom que se diga, não tugiu nem mugiu 'para não parecer mal' e não ser castigado. Mas eis que ao sair do avião, zás! trás! catrapás! o referido vesgo armou tamanho escândalo que até os gasganetes se lhe soltavam para fora das presas e, pimba! todos os sopeiros lá do sítio se escandalizaram, muito, muito, muito e ficaram tristes e revoltados (os vesgos, digamo-lo, também eram um bocadinho invejosos).
Diziam os vesgos uns para os outros: 'O gaijo, hã! tem a mania que é mais vesgo do que os outros vesgos, a fumar em aviões... e um gaijo sem poder fumar nos hospitais, nos tribunais (os vesgos adoravam dar vistas e, apesar de estes não servirem para nada, passavam nos tribunais muitas e muitas horas), nem nos gimnodesportivos (os vesgos também gostavam muito de ficar sentadinhos a beber cervejas e a ver os outros fazer desporto)... só neste país!' (outra coisa de que os vesgos gostavam muito: proclamar que viviam num país desgraçado... o que até era, queridos amiguinhos, um bocadinho verdade, um bocadinho...).
Ora, o nosso primeiro vesgo era muito, muito esperto e, vai daí, longe de cumprir o que prometera na campanha eleitoral -até porque mais a mais, já ninguém se lembrava do que ele prometera (os vesgos também são muito desmemoriados) e isso também não lhe era pedido...- assusta-se com o escândalo e fazendo-se muito arrependido aprestou-se muito sopeiramente a prometer que até ia deixar de fumar.
A partir daquele dia, todas as vesgas e todos os vesgos ficaram muito sensibilizados com o nosso herói e ele passou a ser muito amado naquele país.
O chefe dos vesgos, contente com a amizade que os vesgos seus conterrâneos lhe dedicam, até já pensa em deixar de ir ao ninho. Espertalhão, espertalhão, espertalhão!... Tlim, tlão.
Gostaram? Então amiguinhos cantem conosco: Vitória! vitória! acabou-se a estória...