outubro 21, 2008

Carta a Sócrates

     Circula por e-mail, desde 12 deste mês, uma carta de uma mãe dirigida ao primeiro-ministro. Consideramo-la fundamental. E mais não dizemos.

<4>
Sr. Engº José Sócrates,



Antes de mais, peço desculpa por não o tratar por Excelência nem por

Primeiro-Ministro, mas, para ser franca, tenho muitas dúvidas quanto

ao facto de o senhor ser excelente e, de resto, o cargo de

primeiro-ministro parece-me, neste momento, muito pouco dignificado.



Também queria avisá-lo de antemão que esta carta vai ser longa, mas

penso que não haverá problema para si, já que você é do tempo em que o

ensino do Português exigia grandes e profundas leituras. Ainda pensei

em escrever tudo por tópicos e com abreviaturas, mas julgo que lhe faz

bem recordar o prazer de ler um texto bem escrito, com princípio, meio

e fim, e que, quiçá, o faça reflectir (passe a falta de modéstia).



<4>Gostaria de começar por lhe falar do 'Magalhães'. Não sobre os erros

ortográficos, porque a respeito disso já o seu assessor deve ter

recebido um e-mail meu. Queria falar-lhe da gratuitidade, da

inconsequência, da precipitação e da leviandade com que o senhor

engenheiro anunciou e pôs em prática o projecto a que chama de

e-escolinha.



O senhor fala em Plano Tecnológico e, de facto, eu tenho visto a

tecnologia, mas ainda não vi plano nenhum. Senão, vejamos a cronologia

dos factos associados ao projecto 'Magalhães':



. No princípio do mês de Agosto, o senhor engenheiro apareceu na

televisão a anunciar o projecto e-escolinhas e a sua ferramenta: o

portátil Magalhães.



. No dia 18 de Setembro (quinta-feira) ao fim do dia, o meu filho traz

na mochila um papel dirigido aos encarregados de educação, com apenas

quatro linhas de texto informando que o 'Magalhães' é um projecto do

Governo e que, dependendo do escalão de IRS, o seu custo pode variar

entre os zero e os 50 euros. Mais nada! Seguia-se um formulário com

espaço para dados como nome do aluno, nome do encarregado de educação,

escola, concelho, etc. e, por fim, a oportunidade de assinalar, com

uma cruzinha, se pretendemos ou não adquirir o 'Magalhães'.



. No dia 22 de Setembro (segunda-feira), ao fim do dia, o meu filho

traz um novo papel, desta vez uma extensa carta a anunciar a visita,

no dia seguinte, do primeiro-ministro para entregar os primeiros

'Magalhães' na EB1 Padre Manuel de Castro. Novamente uma explicação

respeitante aos escalões do IRS e ao custo dos portáteis.



. No dia 23 de Setembro (terça-feira), o meu filho não traz mais

papéis, traz um 'Magalhães' debaixo do braço.



Ora, como é fácil de ver, tudo aconteceu num espaço de três dias úteis

em que as famílias não tiveram oportunidade de obter esclarecimentos

sobre a futura utilização e utilidade do 'Magalhães'. Às perguntas que

colocámos à professora sobre o assunto, ela não soube responder.

Reunião de esclarecimento, nunca houve nenhuma.



Portanto, explique-me, senhor engenheiro: o que é que o seu Governo

pensou para o 'Magalhães'? Que planos tem para o integrar nas aulas?

Como vai articular o seu uso com as matérias leccionadas? Sabe, é que

50 euros talvez seja pouco para se gastar numa ferramenta de trabalho,

mas, decididamente, e na minha opinião, é demasiado para se gastar num

brinquedo. Por favor, senhor engenheiro, não me obrigue a concluir que

acabei de pagar por uma inutilidade, um capricho seu, uma manobra de

campanha eleitoral, um espectáculo de fogo de artifício do qual só

sobra fumo e o fedor intoxicante da pólvora.



Seja honesto com os portugueses e admita que não tem plano nenhum.

Admita que fez tudo tão à pressa que nem teve tempo de esclarecer as

escolas e os professores. E não venha agora dizer-me que cabe aos pais

aproveitarem esta maravilhosa oportunidade que o Governo lhes deu e

ensinarem os filhos a lidar com as novas tecnologias. O seu projecto

chama-se e-escolinha, não se chama e-familiazinha! Faça-lhe jus!

Ponha a sua equipa a trabalhar, mexa-se, credibilize as suas iniciativas!



Uma coisa curiosa, senhor engenheiro, é que tudo parece conspirar a

seu favor nesta sua lamentável obra de empobrecimento do ensino

assente em medidas gratuitas.



Há dias arrisquei-me a ver um episódio completo da série Morangos com

Açúcar. Por coincidência, apanhei precisamente o primeiro episódio da

nova série que significa, na ficção, o primeiro dia de aulas daquela

miudagem. Ora, nesse primeiro dia de aulas, os alunos conheceram a sua

professora de matemática e o seu professor de português. As imagens

sucediam-se alternando a aula de apresentação de matemática por

contraposição à de português. Enquanto a professora de matemática

escrevia do quadro os pressupostos da sua metodologia - disciplina,

rigor e trabalho - o professor de português escrevia no quadro os

pressupostos da sua - emoção, entrega e trabalho. Ora, o que me faz

espécie, senhor engenheiro, é que a personagem da professora de

matemática é maldosa, agressiva e antiquada, enquanto que o professor

de português é um tipo moderno e bué de fixe. Então, de acordo com os

princípios do raciocínio lógico, se a professora de matemática é

maldosa e agressiva e os seus pressupostos são disciplina e rigor,

então a disciplina e o rigor são coisas negativas. Por outro lado, se

o professor de português é bué de fixe, então os pressupostos da

emoção e da entrega são perfeitos. E de facto era o que se via.

Enquanto que na aula de matemática os alunos bufavam, entediados, na

aula de português sorriam, entusiasmados.



Disciplina e rigor aparecem, assim, como conceitos inconciliáveis com

emoção e entrega, e isto é a maior barbaridade que eu já vi na minha

vida. Digo-o eu, senhor engenheiro, que tenho uma profissão que vive

das emoções, mas onde o rigor é 'obstinado', como dizem os poetas. Eu

já percebi que o ensino dos dias de hoje não sabe conciliar estes dois

lados do trabalho. E, não o sabendo, optou por deixar de lado a

disciplina e o rigor. Os professores são obrigados a acreditar que

para se fazer um texto criativo não se pode estar preocupado com os

erros ortográficos. E que para se saber fazer uma operação aritmética

não se pode estar preocupado com a exactidão do seu resultado. Era o

que faltava, senhor engenheiro!



Agora é o momento em que o senhor engenheiro diz de si para si: mas

esta mulher é um Velho do Restelo, que não percebe que os tempos

mudaram e que o ensino tem que se adaptar a essas mudanças? Percebo,

senhor engenheiro. Então não percebo? Mas acontece que o que o senhor

engenheiro está a fazer não é adaptar o ensino às mudanças, você está

a esvaziá-lo de sentido e de propósitos. Adaptar o ensino seria afinar

as metodologias por forma a torná-las mais cativantes aos olhos de uma

geração inquieta e voltada para o imediato. Mas nunca diminuir, nunca

desvalorizar, nunca reduzir ao básico, nunca baixar a bitola até ao

nível da mediocridade.



Mas, por falar em Velho do Restelo...



... Li, há dias, numa entrevista com uma professora de Literatura

Portuguesa, que o episódio do Velho do Restelo foi excluído do estudo

d'Os Lusíadas. Curioso, porque este era o episódio que punha tudo em

causa, que questionava, que analisava por outra perspectiva, que é

algo que as crianças e adolescentes de hoje em dia estão pouco

habituados a fazer. Sabem contrariar, é certo, mas não sabem

questionar. São coisas bem diferentes: contrariar tem o seu quê de

gratuito; questionar tem tudo de filosófico. Para contrariar, basta

bater o pé. Para questionar, é preciso pensar.



Tenho pena, porque no meu tempo (que não é um tempo assim tão

distante), o episódio do Velho do Restelo, juntamente com os de Inês

de Castro e da Ilha dos Amores, era o que mais apaixonava e empolgava

a turma. Eram três episódios marcantes, que quebravam a monotonia do

discurso de engrandecimento da nação e que, por isso, tinham o mérito

de conseguir que os alunos tivessem curiosidade em descodificar as

suas figuras de estilo e desbravar o hermetismo da linguagem. Ainda

hoje me lembro exactamente da aula em que começámos a ler o episódio

de Inês de castro e lembro-me das palavras da professora Lídia,

espicaçando-nos, estimulando-nos, obrigando-nos a pensar. E foi há 20 anos.



Bem sei que vivemos numa era em que a imagem se sobrepõe à palavra,

mas veja só alguns versos do episódio de Inês de Castro, veja que

perfeita e inequívoca imagem eles compõem:



'Estavas, linda Inês, posta em sossego,

De teus anos colhendo doce fruito,

Naquele engano d'alma ledo e cego,

Que a fortuna não deixa durar muito (...)'



Feche os olhos, senhor engenheiro, vá lá, feche os olhos. Não consegue

ver, perfeitamente desenhado e com uma nitidez absoluta, o rosto

branco e delicado de Inês de Castro, os seus longos cabelos soltos

pelas costas, o corpo adolescente, as mãos investidas num qualquer

bordado, o pensamento distante, vagueando em delícias proibidas no

leito do príncipe? Não vê os seus olhos que de vez em quando escapam

às linhas do bordado e vão demorar-se na janela, inquietos de saudade,

à espera de ver D. Pedro surgir a galope na linha do horizonte? E

agora, se se concentrar bem, não vê uma nuvem negra a pairar sobre

ela, não vê o prenúncio do sangue a escorrer-lhe pelos fios de cabelo?

Não consegue ver tudo isto apenas nestes quatro versos?



Pois eu acho estes quatro versos belíssimos, de uma simplicidade

arrebatadora, de uma clareza inesperada. É poesia, senhor engenheiro,

é poesia! Da mais nobre, grandiosa e magnífica que temos na nossa

História. Não ouse menosprezá-la. Não incite ninguém a desrespeitá-la.



Bem, admito que me perdi em divagações em torno da Inês de Castro. O

que eu queria mesmo era tentar perceber porque carga de água o Velho

do Restelo desapareceu assim. Será precisamente por estimular a

diferença de opiniões, por duvidar, por condenar? Sabe, não tarda

muito, o episódio da Ilha dos Amores será também excluído dos

conteúdos programáticos por 'alegado teor pornográfico' e o de Inês de

Castro igualmente, por 'incitamento ao adultério e ao desrespeito pela

autoridade'.



Como é, senhor engenheiro? Voltamos ao tempo do 'lápix' azul?



E já agora, voltando à questão do rigor e da disciplina, da entrega e

da emoção: o senhor engenheiro tem ideia de quanta entrega e de quanta

emoção Luís de Camões depôs na sua obra? E, por outro lado, o senhor

engenheiro duvida da disciplina e do rigor necessários à sua

concretização? São centenas e centenas de páginas, em dezenas de

capítulos e incontáveis estrofes com a mesma métrica, o mesmo tipo de

rima, cada palavra escolhida a dedo... o que implicou tudo isto senão

uma carga infinita de disciplina e rigor?



Senhor engenheiro José Sócrates: vejo que acabo de confiar o meu

filho ao sistema de ensino onde o senhor montou a sua barraca de circo

e não me apetece nada vê-lo transformar-se num palhaço. Bem, também

não quero ser injusta consigo. A verdade é que as coisas já começaram

a descarrilar há alguns anos, mas também é verdade que você está a

sobrealimentar o crime, com um tirinho aqui, uma facadinha ali, uma

desonestidade acolá.



Lembro-me bem da época em que fiz a minha recruta como jornalista e

das muitas vezes em que fui cobrir cerimónias e eventos em que você

participava. Na altura, o senhor engenheiro era Secretário de Estado

do Ambiente e andava com a ministra Elisa Ferreira por esse Portugal

fora, a inaugurar ETAR's e a selar aterros. Também o vi a plantar

árvores, com as suas próprias mãos. E é por isso que me dói que agora,

mais de dez anos depois, você esteja a dar cabo das nossas sementes e

a tornar estéreis os solos que deveriam ser férteis.



Sabe, é que eu tenho grandes sonhos para o meu filho. Não, não me

refiro ao sonho de que ele seja doutor ou engenheiro. Falo do sonho de

que ele respeite as ciências, tenha apreço pelas artes, almeje a

sabedoria e valorize o trabalho. Porque é isso que eu espero da

escola. O resto é comigo.



Acho graça agora a ouvir os professores dizerem sistematicamente aos

pais que a família deve dar continuidade, em casa, ao trabalho que a

escola faz com as crianças. Bem, se assim fosse eu teria que ensinar o

meu filho a atirar com cadeiras à cabeça dos outros e a escrever as

redacções em linguagem de sms. Não. Para mim, é o contrário: a escola

é que deve dar continuidade ao trabalho que eu faço com o meu filho.

Acho que se anda a sobrevalorizar o papel da escola. No meu tempo, a

escola tinha apenas a função de ensinar e fazia-o com competência e

rigor. Mas nos dias que correm, em que os pais não têm tempo nem

disposição para educar os filhos, exige-se à escola que forme o seu

carácter e ocupe todo o seu tempo livre. Só que infelizmente ela tem

cumprido muito mal esse papel.



A escola do meu tempo foi uma boa escola. Hoje, toda a gente sabe que

a minha geração é uma geração de empreendedores, de gente criativa e

com capacidade iniciativa, que arrisca, que aposta, que ambiciona. E

não é disso que o país precisa? Bem sei que apanhámos os bons ventos

da adesão à União Europeia e dos fundos e apoios que daí advieram, mas

isso por si só não bastaria, não acha? E é de facto curioso: tirando o

Marco cigano, que abandonou a escola muito cedo, e a Fatinha que

andava sempre com ranhoca no nariz e tinha que tomar conta de três

irmãos mais novos, todos os meus colegas da primária fizeram alguma

coisa pela vida. Até a Paulinha, que era filha da empregada (no meu

tempo dizia-se empregada e não auxiliar de acção educativa, mas,

curiosamente, o respeito por elas era maior), apesar de se ter ficado

pelo 9º ano, não descansou enquanto não abriu o seu próprio Pão Quente

e a ele se dedicou com afinco e empenho. E, no entanto, levámos

reguadas por não sabermos de cor as principais culturas das

ex-colónias e éramos sujeitos a humilhação pública por cada erro

ortográfico. Traumatizados? Huuummm... não me parece. Na verdade,

senhor engenheiro, tenho um respeito e uma paixão pela escola tais

que, se tivesse tempo e dinheiro, passaria o resto da minha vida a estudar.



Às vezes dá-me para imaginar as suas conversas com os seus filhos (nem

sei bem se tem um ou dois filhos...) e pergunto-me se também é válido

para eles o caos que o senhor engenheiro anda a instalar por aí.

Parece que estou a ver o seu filho a dizer-lhe: ó pai, estou com

dificuldade em resolver este sistema de três equações a três

incógnitas... dás-me uma ajuda? E depois, vejo-o a si a responder com

a sua voz de homilia de domingo: não faz mal, filho... sabes escrever

o teu nome completo, não sabes? Então não te preocupes, é

perfeitamente suficiente...



Vendo as coisas assim, não lhe parece criminoso o que você anda a fazer?



E depois, custa-me que você apareça em praça pública acompanhado da

sua Ministra da Educação, que anda sempre com aquele ar de infeliz, de

quem comeu e não gostou, ambos com o discurso hipócrita do mérito dos

professores e do sucesso dos alunos, apoiados em estatísticas cuja

real interpretação, à luz das mudanças que você operou, nos apresenta

uma monstruosa obscenidade. Ofende-me, sabe? Ofende-me por me tomar

por estúpida.



Aliás, a sua Ministra da Educação é uma das figuras mais

desconcertantes que eu já vi na minha vida. De cada vez que ela fala,

tenho a sensação que está a orar na missa de sétimo dia do sistema de

ensino e que o que os seus olhos verdadeiramente dizem aos pais deste

Portugal é apenas 'os meus sentidos pêsames'.



Não me pesa a consciência por estar a escrever-lhe esta carta. Sabe, é

que eu não votei em si para primeiro-ministro, portanto estou à

vontade. Eu votei em branco. Mas, alto lá! Antes que você peça ao seu

assessor para lhe fazer um discurso sobre o afastamento dos jovens da

política, lembre-se, senhor engenheiro: o voto em branco não é o voto

da indiferença, é o voto da insatisfação! Mas, porque vos é

conveniente, o voto em branco é contabilizado, indiscriminadamente,

com o voto nulo, que é aquele em que os alienados desenham macaquinhos

e escrevem obscenidades.



Você, senhor engenheiro, está a arriscar-se demasiado. Portugal está

prestes a marcar-lhe uma falta a vermelho no livro de ponto. Ah...

espere lá... as faltas a vermelho acabaram... agora já não há castigos...



Bem, não me vou estender mais, até porque já estou cansada de repetir

'senhor engenheiro para cá', 'senhor engenheiro para lá'. É que o meu

marido também é engenheiro e tenho receio de lhe ganhar cisma.



Esta carta não chegará até si. Vou partilhá-la apenas e só com os meus

E-leitores (sim, sim, eu também tenho os meus eleitores) e talvez só

por causa disso eu já consiga hoje dormir melhor. Quanto a si, tenho dúvidas.



Para terminar, tenho um enorme prazer em dedicar-lhe, aqui, uma

estrofe do episódio do Velho do Restelo. Para que não caia no

esquecimento. Nem no seu, nem no nosso.



'A que novos desastres determinas

De levar estes Reinos e esta gente?

Que perigos, que mortes lhe destinas,

Debaixo dalgum nome preminente?

Que promessas de reinos e de minas

De ouro, que lhe farás tão facilmente?

Que famas lhe prometerás? Que histórias?

Que triunfos? Que palmas? Que vitórias? '



Atenciosamente e ao abrigo do artigo nº 37 da Constituição da República Portuguesa,



Uma mãe preocupada



Nota: o artigo 37º é sobre a liberdade de expressão e de informação.


Publicado por Francisco Nunes em outubro 21, 2008 02:42 PM | TrackBack
Comentários

Amigo Contreiras, isto é com muita gente atenta.
O que seria se todos continuássemos a confundir escolaridade com educação e depósito de crianças com escola a tempo inteiro...

Um abraço,

Afixado por: Francisco Nunes em outubro 24, 2008 03:48 PM

Grande carta! Espectacular a síntese que esta senhor faz de 30 anos de democracia aplicada ao ensino sem rigor mas com muito populismo e muita demagogia. É o que temos.

Afixado por: José Contreiras em outubro 21, 2008 10:19 PM
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