O Ministério da Educação estabeleceu o Estatuto do Aluno na Lei 3/2007.
Agora é que ia ser! O rigorzinho... Pois...
Como muitos dos diplomas legais oriundos da 24 de Julho, este diploma era um nó. Outro nó...
Os miúdos, independentemente da interpretação que cada escola fizesse do documento, reagiram às disposições do seu estatuto atirando ovos à Senhora Ministra e aos seus secretários.
Este diploma -um Decreto-Lei- acabou 'esclarecido' por uma portaria. Exemplar.
Depois de tanta teimosia o Ministério concluiu que... os professores (sempre esses bandidos sem escrúpulos, os professores!) é que tinham interpretado mal o documento. (Esta saída já é um 'must'.)
- E o que é que o Salazar tem a ver com esta situação? - pergunta-se o leitor.
- Tem tudo -dizemos nós. O Ministério acredita (com toda a educação, claro!) que a inflexibilidade -a transmissão da ideia de inflexibidade- dá votos. Acredita que o Salazar, caso acreditasse nas urnas, ganharia qualquer eleição.
Acontece que o Salazar não acreditava em eleições precisamente porque conhecia a nossa apetência para a demagogia. Acontece que o Salazar tinha alguma razão e, acima tudo, conseguia ser mais coerente do que estes políticos que temos. E acima de tudo (grande lição de democracia dada à juventude!) fica-se com a sensação de que atirar ovos aos governantes resulta.