António Augusto Montenegro Vieira Cardoso foi a última vítima do clima de suspeição que enxameia a vida pública portuguesa. Assim não vamos lá, pá!
A vida em Dacar deve ser secante. Vai daí que a rapaziada mais activa e mais dinâmica sente uma enorme necessidade de se divertir e de espairecer. Percebemos bem a coisa porque acontece o mesmo aqui na Planície...
Vai daí que o ilustríssimo senhor embaixador António Augusto Montenegro Vieira Cardoso se predispôs enérgica e decididamente a alegrar a Villa Martha e a agitar e a colocar no centro das atenções o número 6 da Avenida dos Ambassadeurs, em Dacar. Mais a mais, pá! o horário da embaixada deixava muitos espaços livres, uma vez que de 2ª a 5ª feira abria as portas entre as 8h30 e as 17h30 e, ainda mais entediante, à 6ªfeira abria às 8h00 e às 13h30 já a coisa estava fechada e o dia ganho. -Mas -questionou-se- o que é que um tipo que já foi chefe de gabinete de uma luminária como o grande José Lello poderá fazer mais para se entreter e ser mais produtivo?
Para responder à questão acima, resolveu oferecer coqueteiles e jantares e, dessa forma tão simples, dar alguma movimentação cultural ao nº 6 e estabelecer contactos interculturais entre as senegalesas, alguns senegaleses e demais senegaleses e estrangeiros.
O potencial que uma actividade cultural que fomentava o câmbio de ideias e sensações entre os povos teria para o estabelecimento de uma actividade diplomática virada para o desenvolvimento da economia dos povos era evidente.
Os resultados desta brilhante iniciativa não podiam deixar de ser um sucesso! Havia rapaziada que aderia às propostas culturais do embaixador e participava em sessões de grande mérito e de enorme dádiva até altas horas da noite.